Tokio Hotel a histeria
Milhares de raparigas gritam, choram ou desmaiam… Bill, o cantor alemão com a cabeleira improvável, e o seu grupo d rock assaltam o coração dos adolescentes. Atenção aos ouvidos, a “Tokiomania” ganhou a França.
Disputam-nos
Bill, o líder carismático de Tokio Hotel, dá autógrafos em frente do edifício de uma rádio parisiense. Fetiches das raparigas, os alemães são abordados pelos médias. No dia 17 de Novembro os Tokio cantaram duas músicas no início da Star Academy.
Prontos para tudo
No Zénith de Lille, no dia 25 de Outubro passado, os fãs chegaram muitas horas antes para ter os melhores lugares. Foram-lhes distribuídas mantas. Nalgumas cidades as petições circulam para pedir a vinda do grupo.
Idade entre os 18 e os 20 anos, os Tokio Hotel já venderam 3,5 milhões de álbuns, só em França foram 500 000. Efeito de moda ou fenómeno musical?
Digressão triunfante
Paris-Bercy, Nantes, Bordeaux, Toulouse, Nice… Em cada etapa da recente digressão hexagonal do grupo, é a loucura entre os fãs. Algumas desmaiam. E ainda não acabou! Tokio Hotel estarão de volta a França em Fevereiro ou Março de 2008 para uma nova série de concertos.
O dia-a-dia deles? Montes de fãs que gritam o nome deles ou choram de alegria, e às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. Tokio Hotel provocam feridas na sua passagem, pelo menos no coração das raparigas. Enquanto eles terminam uma série de concertos em França, estes quatro jovens músicos oriundos de Magdebourg, na ex-Alemanha de Leste, fizeram disparar em nós uma histeria que não acaba de se propagar nos adolescentes.
Os 100 000 bilhetes das doze datas da sua digressão no Hexágono esgotaram em dois dias. No mercado em crise, Polydor, a casa deles de discos, lançaram em França meio-milhão de álbuns do grupo, cantados em alemão, se faz favor. A imprensa jovem aproveita também o fenómeno. As suas vendas sobem em 30% no momento em que ela mostra o quarteto na capa. Sempre mais fortes, os Tokio Hotel lançaram novamente a atracção pela língua de Goethe nos alunos franceses. Nas escolas, as aulas de alemão enchem-se. É que as estudantes querem compreender as falas dos seus ídolos. O sucesso é tal que provoca ideias nos patrões da indústria do disco. Um conjunto de jovens alemães, não tendo mais que 20 anos, tentam aproveitar a dica: o trio rock Killerpilze (em francês, “Champignons tueurs”). LaFee, pequena cantora de 16 anos ou então o grupo Nevada Tan (“Bronzage du Nevada”). O Nevada depois dos Tokio? Pelo menos, viajamos.
Mas porque esta Tokiomania? A olha-los com olhos de adultos, os Tokio Hotel assemelham-se a uma caricatura de boys band formatada para fazer sucesso entre as raparigas. Neste hotel para jovens corações, cada menina pode encontrar o seu ideal masculino. O cantor Bill Kaulitz, 18 anos, é o rapaz frágil e sensível da banda. Andrógino até à ponta das unhas pintadas, Bill pinta os seus olhos, põe imensa laca para fixar a sua crina felina e sorri com uma dentição branca. O seu gémeo Tom, o guitarrista, hesita entre o reggae e o hip hop. De uma só vez, ele ornamenta-se de dreadlocks com um boné de rapper US. Tão magricelo como o seu irmão Bill, ele é um rapaz cool por excelência. Mais atrás, mais lisos, o baixista Georg Listing e o baterista Gustav Schäfer, 19 e 20 anos, vestem t-shirts de metal e peitorais salientes. Enfim um pouco de virilidade.
Não é preciso muito para ver nos Tokio Hotel pré-fabricado. Não é assim tão simples… Bill escreveu a sua primeira canção aos 7 anos. Aos 9 anos, com o seu gémeo Tom, eles enviam cassetes para as casas de discos, que nem sequer lhes responde. Em 2001, os dois irmãos encontram Gustav e Georg e formam um grupo com o nome de Devilish (“Demoníacos”). Eles têm entre os 11 e os 14 anos. Os pais deles levam-nos de concerto em concerto. Um ano mais tarde, Bill participa na Nouvelle Star alemã, reservada aos 10-15 anos. Ele não é classificado na final, mas foi avistado por uma equipa de autores-compositores-produtores. Os Tokio Hotel estão lançados. Em 2005, saí o Schrei, o primeiro álbum deles, depois Zimmer 483, em Fevereiro passado. Sem esquecer o disco Scream, versão inglesa de Schrei, história de conquistar a Inglaterra, único país europeu citado no texto.
Nos altifalantes, uma voz de éphébe responde a guitarras insistentes. É isso mesmo, bem visto pelo lado da produção. Mas isto não revoluciona o rock, longe disso. A força de Tokio Hotel está noutro sítio, na sua capacidade de falar com os jovens. Com os seus pais divorciados e a sua família recomposta, Bill canta a dificuldade de ser um adolescente num mundo que não é sempre cor-de-rosa. “A nossa música é um jornal íntimo”, diz ele. E esse jornal íntimo cheio de angústias e bons sentimentos, os 12-15 anos vêm-se neles. Estando mais à vontade hoje, os adolescentes têm o seu telemóvel, navegam na Internet e pagam o bilhete de concerto com o dinheiro deles. Tokio Hotel é o fofinho rock que nos oferecemos sozinhos, longe dos olhos (e dos ouvidos) dos pais.
Mesmo também para os Tokio Hotel, o passo em falso também é possível. No dia 1 de Setembro passado, dia dos seus 18 anos, Bill larga uma bomba no blog do grupo. Ele conta que prefere os rapazes! No outro dia, a palavra desapareceu. Retirada, dizem as más línguas, pela casa de discos. Bill terá direito aos homens, mas mais tarde, quando ele será grande. Não brincamos com o coração de milhares de fãs.






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